O ano de 2017 no Mercado Imobiliário Português – Artigo de Opinião

O ano de 2017 foi um ano fantástico para o imobiliário português. Venderam-se 153.292 alojamentos familiares, traduzindo-se em 19.3 mil milhões de euros, o valor mais alto registado desde 2009. Estamos a falar de um crescimento anual de 21% em quantidade e 31% em valor!

 

Como podem verificar no gráfico acima, o setor imobiliário já recuperou muito desde 2012, o ano negro do nosso passado recente (troika, desemprego, empresas a fechar, bancos a cair, etc.). Desde então, passámos por um período de ajustamento muito positivo de recuperação económica, com resultados claros no imobiliário.

E apesar de todas estas mudanças serem fantásticas mas ao mesmo tempo assustadoras, quero reforçar a ideia de que 2017 foi o primeiro ano, dos últimos 8, onde de facto crescemos face ao último ano bom (2010).

Dito isto por outras palavras, em 2017 voltámos a crescer. Passados 8 anos.

Sem grande surpresa, a Área Metropolitana de Lisboa foi a região que mais catapultou os resultados obtidos, sendo responsável por 35% do total das transações (56.662 em 153.292) e 48% em valor (9,3 mil milhões € em 19,3 mil milhões €).

 

Ao nível do número de transações, a A.M. de Lisboa segue à frente (53.662), e é seguida da região Centro (26.603) e A.M. do Porto (26.194), como podem verificar no gráfico acima. Face ao ano anterior, no total foi registado um crescimento de 21%.

A A.M. Lisboa foi responsável por 35% do nº de transações, tendência que tem vindo a aumentar desde 2012 (de 28% para 25%).

Também é possível verificar que, falando apenas do número de transações, em 2016 estivemos muito perto de conseguir superar 2010, falhando apenas por 2.844 alojamentos (127.106 vs 129.950). Face a 2017, a diferença já é bastante satisfatória, registando-se mais 23.342 alojamentos que em 2010.

 

Da perspetiva do volume de transações, podemos visualizar que a A.M. Lisboa continua à frente (9,3 mil milhões €), seguida da A.M. Porto (2,9 mil milhões €) e zona Centro (2,2 mil milhões €). Face ao ano anterior, no total foi registado um crescimento de 31%.

A A.M. Lisboa foi responsável por 48% do volume de transações, tendência que tem vindo a aumentar desde 2012 (de 37% para 48%).

Fun fact! Já repararam que só a A.M. Lisboa em 2017 teve um volume de transações (9,3 mil milhões €) superior ao total dos anos de 2012 (7,7 mil milhões €) e 2013 (8,3 mil milhões €)?

Em linha com a subida da quantidade e volume, os valores médios de transação de alojamento também registaram um crescimento significativo, com destaque para A.M. Lisboa e Algarve.

 

Enquanto que em Portugal cada alojamento foi transacionado em média por 126.154€, na A.M. de Lisboa foi de 173.807€, seguido do Algarve com 152.854€. Apesar da subida generalizada dos preços, as restantes regiões ficaram abaixo.

 

A BANCA

Aproveitando esta reflexão do ano de 2017, gostaria também de partilhar alguns dados sobre o setor bancário e a sua influência no setor imobiliário.

 

A concessão de crédito habitação acompanhou a oscilação das transações, contudo, ficou aquém da recuperação do mercado imobiliário desde 2012, conforme podem verificar no gráfico acima. Se em 2009/2010 o crédito habitação equiparava-se a 65% das transações, no pico da crise reduziu para 25% e em 2017 fixou-se em 43%, o que na minha opinião, é um número espetacular!

Ao contrário das transações, o volume de crédito habitação dado em 2017 (8,2 mil milhões €) ainda não conseguiu superar o montante financiado de 2009 (9,3 mil milhões €).
Isto significa, que o grosso das aquisições dos últimos 5 anos (2012-2017) foram feitas através de capitais próprios, sejam eles de nacionais ou estrangeiros, de particulares ou empresas, de dinheiro debaixo do colchão ou do resgate de depósitos a prazo no banco.

Isto também significa que a Banca aprendeu com os erros dos últimos anos, e em especial com o Subprime/Imparidade, e desde 2012 foi bastante contida na concessão de crédito habitação, com LTV até 70%/80%, com avaliações independentes, com avaliações de risco mais rigorosas, etc. E as recentes normas do BdP no que diz respeito ao crédito habitação vieram reforçar isso, que a Banca deve continuar serene como tem estado na concessão de crédito para evitarmos outro “ajustamento violento”.

Prova disto, é que o setor bancário continua a ajustar o total de stock de crédito habitação no mercado, sendo que há mais montante amortizado todos os meses do que aquele que é concedido.

 

 

Em resumo, 2017 foi um ano fantástico! E apesar de não sabermos o que o futuro nos reserva, os dados preliminares do 1º trimestre de 2018 já nos indicam que continuamos no bom caminho.

Acredito que temos todas as condições para continuar a crescer, mesmo admitindo que a taxa de crescimento não vá ser tão galopante como a que foi observada até agora – já não estamos a recuperar de 2010, estamos mesmo a crescer e a desbravar novos caminhos.

O que acha? Concorda comigo? Partilhe a sua opinião nos comentários.

 

Quer vender a sua casa e contribuir para as estatísticas de 2018? 🙂 Fale comigo!

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André Maia

André Maia

Consultor Imobiliário da Home Hunting, especialista no concelho de Lisboa. Apaixonado por números e conhecimento, tem mais 8 anos de experiência como consultor no setor da Banca, ligado a projetos de tecnologia e risco. Adora poder dar o seu contributo e está sempre pronto a ajudar, estando habituado a que o seu trabalho tenha um impacto grande na vida das organizações e das pessoas.

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