Taxa fixa ou taxa variável? Qual a melhor opção para o seu crédito à habitação?

Está neste momento a consultar algumas instituições financeiras para efetuar uma simulação de crédito à habitação e sente-se perdido no meio de uma multiplicidade de opções? Não se preocupe, porque nem tudo é um bicho de sete cabeças. No que respeita à Taxa Fixa ou Taxa Variável, saiba quais são as principais diferenças.

 

Se for uma pessoa que não gosta de surpresas e quer ter a certeza de que a sua prestação não varia ao longo do tempo (estando disposta a pagar, ou não, um pouco mais por isso) poderá optar por uma Taxa Fixa; se prefere ir ao “sabor” da evolução das taxas de juro e da conjuntura económica, então escolha uma taxa variável. Mas vamos lá analisar as diferenças.

 

Taxa Fixa ou Taxa Variável
Evolução da Taxa Euribor 6 meses desde o ano 2000 | Fonte: ICE Benchmark Administration Limited (IBA)

Como podemos verificar pelo gráfico, as taxas de juro desceram drasticamente nos últimos anos, até que chegaram a valores negativos nos últimos 3 anos. Depois de atingidos esses valores, começa-se agora a registar uma subida das taxas de juro e é natural que a tendência seja de subida no curto/médio prazo.

Isto significa, que poderá retirar alguma vantagem ao contratar uma taxa fixa a 5 ou 10 anos. Ainda assim, tudo depende do nível de taxa fixa que o seu banco lhe propuser, pois existe também o outro lado da moeda. Ao contratar taxas fixas por períodos demasiadamente longos poderá, no futuro, ter custos acrescidos pois nos dias de hoje tudo muda muito depressa. Mas, mais à frente explicamos-lhe como funciona a taxa fixa.

Seja qual for o regime de taxas que escolher, a taxa de juro a suportar numa operação de crédito resulta sempre de:

TAXA JURO = TAXA JURO VARIÁVEL OU FIXA + SPREAD

 

SPREAD

O spread não é mais do que a margem de lucro do banco pelo risco que assume e pelo retorno que exige ao conceder crédito. O Spread é constante ao longo do todo o prazo. Tipicamente em períodos de maior facilidade de concessão de crédito os bancos estão mais dispostos a negociar (reduzir) o spread praticado para ganhar operações à concorrência.

 

TAXA DE JURO VARIÁVEL

A Taxa de Juro Variável ou “Taxa Euribor” não é uma taxa administrativa, mas sim uma taxa representativa do preço do dinheiro no sistema financeiro europeu, sendo a principal taxa de referência utilizada como indexante na maioria das operações de crédito pelas instituições financeiras.

Se por exemplo, o seu empréstimo está indexado à taxa Euribor 6 meses significa que a prestação será atualizada de 6 em 6 meses, durante toda a vida do empréstimo; se o seu empréstimo estiver indexado à taxa Euribor a 12 meses então a sua prestação será actualizada de 12 em 12 meses; ou seja, o valor da sua prestação acompanhará a tendência das taxas de juro de curto prazo.

Se for uma conjuntura de crescimento, as taxas de juro tenderão a subir e as suas prestações também; se a conjuntura económica for negativa as taxas de juro tenderão a baixar, bem como as suas prestações.

 

TAXA DE JURO FIXA

No regime de taxas fixas, a taxa de juro é invariável e estabelecida por um período mais longo, que vai desde 1 ano até aos 30 anos. Neste regime de taxa, a prestação é inalterada durante o período de fixação de taxa, anulando o grau de incerteza sobre prestações futuras. Mas como já referimos, esta opção pode acarretar ganhos ou perdas. Vejamos como:

 

Taxa fixa ou taxa variável
Swap da Taxa de Juro (IRS)

Enquanto a taxa fixa estiver acima da taxa variável será desvantajoso para quem contratou taxa fixa e tanto pior quanto maior o diferencial das linhas.

Quando a taxa fixa estiver abaixo taxa variável tem vantagem quem contratou taxa fixa e tanto maior o ganho quanto mais a linha azul estiver acima da linha vermelha.

 

Como podemos concluir, não há decisões certas ou erradas pois as variáveis que tem influência na evolução das taxas de juro são muitas e com sentido incerto. O fundamental é adequar a decisão ao seu perfil e perceber o modo de funcionamento de cada opção e quais as suas implicações na gestão do seu orçamento familiar.

Se ainda não estiver suficientemente esclarecido relativamente a esta questão a minha vasta experiência na consultoria financeira e imobiliária está ao seu dispor. Caso necessite, não hesite em contactar-me ou deixar a sua questão nos comentários.

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Teresa Almeida

Teresa Almeida

Licenciada em Economia, tenho 25 anos de experiência no setor da Banca, a maioria dos quais como diretora de agência e como consultora de investimentos. O meu dia-a-dia sempre foi contactar e servir clientes. Abracei entretanto um novo e desafiante projeto de consultoria no sector imobiliário, trabalho em muito complementar ao trabalho de consultoria financeira, já anteriormente desenvolvido. Sou empenhada e comprometida com os meus clientes.

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