A influência da tecnologia nas nossas empresas

A tecnologia está cada vez mais presente nas nossas vidas e nos nossos locais de trabalho. Neste artigo partilho convosco algumas das iniciativas tecnológicas que foram abordadas pelo Imocionate iTEC 2018 e que, neste momento, já são uma realidade em Portugal e em diversas áreas do mercado.

Pela segunda vez, o Imocionate iTEC voltou a Portugal. Este  evento reuniu a mediação imobiliária no Centro de Congressos de Lisboa no passado dia 29 de Novembro de 2018. Neste foram discutidas as maiores tendências e desafios para o setor imobiliário, e como a tecnologia e inovação podem ajudar a evoluir o mercado.

O mote do evento desde ano, de acordo com a UCI, responsável máximo pela organização, traduziu-se em “O impacto da tecnologia, demografia e globalização no imobiliário estará em análise num evento em que o setor imobiliário nacional se junta para pensar os desafios que o futuro trará à profissão de mediador imobiliário e encontrar soluções”.

Apresento abaixo algumas das melhores ideias que foram abordadas no evento.

As 5 tecnologias que irão transformar a mediação imobiliária nos próximos 5 anos, por Sérgio Langer

Sérgio Langer é Partner & Business Directos da Hosher, uma agência digital (que fundou) especializada no mercado imobiliário. Eis as principais ideias a reter:

  • A evolução da tecnologia é indiscutível, e está a afetar transversalmente todos os setores de atividade;
  • Estamos neste momento a caminhar para a 4ª revolução industrial que será dada ao nível da Internet of Things (IoT), realidade aumentada, inteligência artificial, big data e blockchain;
  • A Internet of Things (IoT) permite que diferentes objetos, de carros a máquinas industriais ou bens de consumo como calçados e roupas, compartilhem dados e informações para concluir determinadas tarefas. A Internet of Things (que exclui PCs, tablets e smartphones) aumentará para 26 bilhões de unidades instaladas, em 2020. Habitualmente ligado a aplicações dentro de casa e para gerir a casa, está no mercado disponível via Amazon Alexa, Google Assistant e Apple. Nos comandos de voz, a Siri (Apple) continua a ser o assistente mais utilizado (com 45% de quota de mercado). Nota ainda para que 54% das pessoas que têm controlo de voz usam pelo menos uma vez por dia, sendo que está estimado que cerca 30% da navegação web será feita sem um ecrã até 2020.
  • Big Data é um conceito que descreve o grande volume de dados estruturados e não estruturados que são gerados a cada segundo. O Big Data pode ser analisado para obter insights que levam a melhores decisões e ações estratégicas de negócio. A tecnologia de Big Data aplicada ao setor imobiliário permite identificar desejos, tendências, necessidades e até mesmo o interesse dos utilizadores, oferecendo uma experiência mais personalizada, como avaliações automáticas de casas com recurso a algoritmos, ou sugestões de imóveis/zonas de acordo com as preferências de pesquisas anteriores.
  • Blockchain, também conhecido como “o protocolo da confiança”, é uma tecnologia de registo distribuído que visa a descentralização como medida de segurança. São bases de registos e dados distribuídos e compartilhados que têm a função de criar um índice global para todas as transações que ocorrem num determinado mercado. Funciona como um livro-razão, só que de forma pública, compartilhada e universal, que cria consenso e confiança na comunicação direta entre duas partes, ou seja, sem o intermédio de terceiros. Esta tecnologia pode ter várias aplicações no mercado imobiliário, nomeadamente: registo de propriedade, transações mais rápidas e baratas, alta liquidez, simplificação sem fronteiras, melhor prestação de contas e comprar apenas uma fração do imóvel.
  • A definição de Inteligência Artificial está relacionada à capacidade das máquinas de pensarem como seres humanos – de terem o poder de aprender, raciocinar, perceber, deliberar e decidir de forma racional e inteligente. De certa forma, ela já está presente no nosso dia-a-dia nos algoritmos de negócios como Google, Netflix, Amazon e Alibaba. Ela irá evoluir noutros campos como no modelo de negócio das empresas já existentes, na interação com o utilizador final através do meio físico e na automação de meios mecanizados existentes. O mercado imobiliário já começa timidamente a ver algumas aplicações, como a utilização de chat-bots 24/7 que falam diretamente com clientes para um melhor nível de serviço e encurtar o tempo de processo, a utilização de tecnologia preditiva de ciclos de mercado para ajudar a entender oportunidades de compra e venda, ou a utilização de um utilizador virtual para gestão dos processos internos da empresa.
  • Por fim, a Realidade Virtual é uma tecnologia de interface capaz de enganar os sentidos de um utilizador, por meio de um ambiente virtual, criado a partir de um sistema computacional. Ao induzir efeitos visuais, sonoros e até táteis, a realidade virtual permite a imersão completa num ambiente simulado, com ou sem interação do utilizador. Esta tecnologia já está bastante presente no setor imobiliário, nomeadamente: Tour virtual do imóvel, simulador 3D, visualização de arquitetura/móveis, instruções virtuais para inquilinos. Sem dúvida, os maiores benefícios desta tecnologia assentam na poupança de tempo, flexibilidade e alcance global.

Demografia e Imobiliário: Compreender o comportamento do consumidor atual e a economia on-demand, por Jay Thompson

Jay Thompson é o antigo diretor de Industry Outreach da Zillow, e também participa com regularidade na revista Inman. Eis as principais ideias a reter:

  • De uma forma geral, ele indica que não devemos ter medo da tecnologia, mas sim abraçá-la e melhorar o que fazemos, pois é uma ferramenta que permitirá um melhor serviço, em menos tempo e mais dinheiro.
  • Olhando para o rol de proprietários/compradores/vendedores disponíveis, temos de nos adaptar para conseguirmos comunicar com todas as gerações, nomeadamente:
    • Boomers (1945-1964) – Telefone
    • Generation X (1961-1981) – Email/Texto
    • Millenials (1975-1995) – Social Media/Texto
  • Uma nota interessante é que os Millenials estão a arrendar mais em vez de comprar.
  • Os principais eventos de vida influenciam a mudança de casa. Os maiores eventos são casar, divorciar, nascimento/adoção e reforma.
  • Os vendedores chegam aos agentes imobiliários através de referências (28%), porque já trabalharam com eles no passado (23%) ou são conhecidos na comunidade (13%).
  • Os compradores descobrem os agentes por referência (27%), através de apps/websites (16%) ou porque já trabalharam com eles no passado (10%).
  • Seja vendedor ou comprador, o que mais valorizam mais num agente (top 4): Impressão inicial – Ser de confiança; Impressão inicial – Ser ágil na resposta (responsive); Conhecimento mercado/bairro; Respeita os valores do proprietário.
  • O top 5 de valor acrescentado dado pelo agente imobiliário: Organização/burocracia do processo; Gestão visitas ao imóvel; Negociação do contrato; Acompanhamento ao longo processo; Ajuda na parte jurídica.
  • Uma das conclusões de Jay Thompson, é que independentemente do público-alvo, a única grande diferença é a forma de comunicação, pois todos os públicos desejam o mesmo apoio/ajuda por parte do agente imobiliário.
  • Ele também refere que a maior parte do público vê as placas de imobiliário no telemóvel na rua. Num estudo recente da Zillow, 70% dos acessos são por telemóvel, sendo que no fim-de-semana sobem para 90%. Não estar devidamente adaptado ao Mobile é não estar no mercado.
  • No seguimento disto, é necessário ter uma resposta on-demand. A on-demand economy é uma realidade, e só vai ficar mais forte no futuro. Cada vez mais negócios disponibilizam no momento informação/serviço/resposta ao pedido do utilizador. Isso irá fazer com que o utilizador se habitue a respostas rápidas e valor acrescentado entregue no momento.
  • A aplicação de on-demand economy no mercado imobiliário pode ser vista em iniciativas de empresas a comprar e a vender imóveis na hora. Nesta altura, são negócios que requerem uma necessidade de capital muito elevada, o que de certa forma congestiona a velocidade de crescimento. Sobre o ibuying/iselling, sem agente, a Zillow indica que deverá haver uma quota de mercado no máximo de 25%, a longo prazo. Para a generalidade das transações, o agente imobiliário terá de estar presente para apoiar e dar valor.
  • Em resumo, é preciso lidar com públicos muito diferentes, com formas de comunicação diferentes, e utilizando toda a tecnologia que já existe, sem esquecer a inevitável presença em mobile e a convergência para uma on-demand economy.

 

Recrutamento, tecnologia e futuro, por Tiago Forjaz

Tiago Forjaz é atualmente Chief Dream Officer da MighT, com currículo na área do recrutamento (Startrekker, Jason Associates, a Heidrick & Struggles e a Michael Page). Eis as principais ideias a reter:

  • A empresa é que se tem que vender para recrutar, o mercado é dominado pelos candidatos. Não esperem que seja o candidato a vender-se;
  • Não é a tecnologia que muda o mundo, são as pessoas e a forma como trabalham;
  • Tenham muito cuidado a recrutar, não o façam somente pelo CV e skills isoladas do candidato. É necessário ver também o impacto que essa pessoa irá terá na vossa organização (positivo/negativo);
  • Estamos a caminhar de uma lógica executiva para uma lógica colaborativa. Neste sentido, não podem correr o risco de contratar alguém que não só não trabalha em equipa como prejudica a performance da equipa;
  • O objetivo passa por criar boas equipas, com pessoas que se complementem;
  • Temos que abraçar a aprendizagem contínua já. A ideia de que estudar foi só na escola já não funciona. Temos de evoluir e crescer com o mundo à nossa volta;
  • O desenvolvimento de um mindset ambidestro é inevitável, pois as organizações precisam que, por um lado sejam bons a executar, mas por outro consigam pensar e ser criativos para levar a organização para outros caminhos;
  • Decidir quais as competências criticas em que querem apostar;
  • É interessante conviver com os Millenials, pois eles serão os seus próximos chefes.

 

Proptech, oportunidade ou ameaça? Por Fernando Erviti

Fernando Erviti é Diretor da CRS Internacional. Eis as principais ideias a reter:

  • Não vale a pena ter medo das Proptech, elas são uma oportunidade -> Ver pela positiva;
  • A tecnologia mudou o hábito, quer queiramos quer não;
  • Bill gates dizia em 1996, que dentro de 10 anos a mediação imobiliária ia desaparecer, contudo a venda com recurso a mediação cresceu de 78% para 91% em 10 anos (EUA);
  • Um estudo recente das 700 profissões existentes diz que 47% das profissões vão desaparecer, e que as relacionadas com imobiliário são das mais fáceis de serem substituídas;
  • As Proptech atuais dão um pacote standard (sem agente) aos clientes num regime de “Do it yourself”. Hoje em dia têm ainda poucos clientes e precisam de muito dinheiro para conseguir operar. Este modelo de negócio assenta em margens baixas e muito volume;
  • Para o agente/agência que só faz o anúncio do imóvel e mostra as casas, as Proptech irão certamente substituir. Contudo, para quem faz, trata a relação e dá valor, as Proptech não o irão conseguir substituir;
  • É necessário ser um agente/mediador com coração 
    • Foco no cliente
    • Entender os seus problemas
    • Empenhar-se a resolve-los
  • Quem tiver inteligência criativa e emocional, muito dificilmente será substituído por tecnologia.

 

Globalização: Uma marca deve ser a história e não contar histórias, Por Joah Santos

Joah Santos é Chief Creative Strategist da Nylon. Já participou em várias TED talks. Eis as principais ideias a reter:

  • Joah Santos estudou durante 10 anos as aplicações de marketing nas empresas/marcas, e materializou estas ideias na estratégia POV, indicando que as marcas precisam de ter o seu Purpose (componente emocional), a sua Ownership (componente funcional) e a sua Vision (componente social);
  • Porque se dá relevância às métricas das redes sociais, como os gostos, que na verdade são muitas vezes reações desprovidas de envolvimento?
  • Aquilo que as pessoas mais valorizam numa marca é a sua consistência;
  • As pessoas não seguem marcas, seguem pontos de vista;
  • Focus on adding value to the society, instead of extracting the maximum value from thr society”;
  • Stop telling stories, be a story worth telling”.

Pode ver a sua participação na TEDxPorto aqui.

 

Estes são alguns dos desafios que vamos enfrentar nos próximos anos. Quanto mais cedo nos prepararmos para lidar com estas tecnologias, mais rapidamente poderemos responder ao mercado e conseguir vantagem competitiva sobre os concorrentes.

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André Maia

André Maia

Consultor Imobiliário da Home Hunting, especialista no concelho de Lisboa. Apaixonado por números e conhecimento, tem mais 8 anos de experiência como consultor no setor da Banca, ligado a projetos de tecnologia e risco. Adora poder dar o seu contributo e está sempre pronto a ajudar, estando habituado a que o seu trabalho tenha um impacto grande na vida das organizações e das pessoas.

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