Mercado imobiliário em 2018 = Ano recorde

O ano de 2018 foi um ano fantástico para o imobiliário português. Venderam-se 178.691 alojamentos familiares, traduzindo-se em 24 mil milhões de euros, o valor mais alto registado desde 2009. Estamos a falar de um crescimento de 17% em quantidade e 24% em valor!

Como podem ver no gráfico acima, o setor imobiliário já recuperou bastante desde 2012, ano difícil do nosso passado recente (troika, desemprego, empresas a fechar, bancos a cair, etc.). Desde então, passámos por um período de ajustamento muito positivo de recuperação económica, com resultados claros no imobiliário.

E apesar disto tudo ser fantástico e assustador ao mesmo tempo, quero fazer o favor de vincar que 2018 foi apenas o segundo ano, dos últimos 9, onde de facto crescemos face ao último ano bom (2010).

Sem grande surpresa, a Área Metropolitana de Lisboa foi a região que mais catapultou os resultados obtidos, sendo responsável por 35% do total das transações (62.489 em 178.691) e 48% em valor (11,5 mil milhões € em 24 mil milhões €).

Ao nível do número de transações, a A.M. de Lisboa segue à frente (62.489), e é seguida da região Centro (31.590] e A.M. do Porto (30.450), como podem verificar no gráfico acima. Face ao ano anterior, no total foi registado um crescimento de 17%.

A A.M. Lisboa foi responsável por 35% do nº de transações, tendência que tem vindo a aumentar desde 2012 (de 28% para 35%).

Da perspetiva do volume de transações, podemos visualizar que a A.M. Lisboa continua à frente (11,5 mil milhões €), seguida da A.M. Porto (3,8 mil milhões €) e zona Centro (2,7 mil milhões €). Face ao ano anterior, no total foi registado um crescimento de 24%.

A A.M. Lisboa foi responsável por 48% do volume de transações, tendência que tem vindo a aumentar desde 2012 (de 37% para 48%).

Em linha com a subida da quantidade e volume, os valores médios de transação de alojamento também registaram um crescimento significativo, com destaque para a A.M. Lisboa e Algarve.

Enquanto que em Portugal cada alojamento foi transacionado em média por 134.655€ , na A.M. de Lisboa foi 184.948€ , seguido do Algarve com 168.456€. Apesar da subida generalizada dos preços, as restantes regiões ficaram abaixo.

Contudo, nem tudo são rosas e é necessário ter alguma cautela!. De notar que, olhando apenas para o último trimestre de 2018, já é possível verificar alguns sinais de abrandamento do mercado, com o volume de transações a recuar 1,58%, sendo que na A.M. Lisboa a redução ascendeu a 8,59%, levando inclusive à descida dos preços médios de transação.

 

A Banca

Aproveitando esta reflexão de 2018, gostaria também de partilhar convosco alguns dados sobre o setor bancário e a sua influência no setor imobiliário.

A concessão de crédito habitação acompanhou a oscilação das transações, contudo, ficou aquém da recuperação do mercado imobiliário desde 2012, conforme podem verificar no gráfico acima. Em 2009/2010 o crédito habitação equiparava-se a 65% das transações, no pico da crise reduziu para 25% e em 2018 fixou-se em 41%, o que na minha opinião, é um número espetacular!

Pela primeira vez em 9 anos, o volume de crédito habitação dado em 2018 (9,8 mil milhões €) conseguiu superar o montante financiado de 2009 (9,3 mil milhões €). Passados 9 anos! E se em 2009 este valor representava 66% das transações imobiliárias, em 2018 apenas representava 41%, o que atesta a sobriedade e prudência que tem pautado o setor bancário no que diz respeito à concessão de crédito habitação.

Mais impressionante ainda é verificar que face ao ano anterior, foi possível baixar a exposição da banca de 43% para 41%, apesar do aumento do volume de transações. Isto significa, que em proporção, houve mais transações feitas através de capitais próprios em 2018 do que em 2017, sejam eles de nacionais ou estrangeiros, de particulares ou empresas, de dinheiro debaixo do colchão ou do resgate de depósitos a prazo no banco.

Prova disto, é que o setor bancário continua a ajustar o total de stock de crédito habitação no mercado, sendo que há mais montante amortizado todos os meses do que aquele que é concedido.

Em resumo, 2018 foi um ano top, fantástico e que nos permitiu bater recordes! Contudo, há que verificar os sinais que o mercado está a dar nos últimos 3/6 meses, onde já é possível observar o abrandamento das transações na A.M. Lisboa.

Estaremos provavelmente a entrar numa fase de equilíbrio e algum ajustamento de preços, pelo que é vital ser bastante assertivo na colocação do imóvel à venda no mercado, e evitar, por exemplo, colocar o asking price demasiado alto.

Acredito que temos todas as condições para continuar a ter um mercado forte e a crescer. Apenas acho que a recuperação do fosso onde estivemos em 2012 já foi colmatada, e que os próximos anos no mercado imobiliário provavelmente serão muito mais serenos e calmos do que têm sido até agora.

 

E você, concorda comigo?

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André Maia

André Maia

Consultor Imobiliário da Home Hunting, especialista no concelho de Lisboa. Apaixonado por números e conhecimento, tem mais 8 anos de experiência como consultor no setor da Banca, ligado a projetos de tecnologia e risco. Adora poder dar o seu contributo e está sempre pronto a ajudar, estando habituado a que o seu trabalho tenha um impacto grande na vida das organizações e das pessoas.

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