Covid-19: 12 anos depois da crise, os receios do futuro…

A Covid-19 obrigou-nos a abrandar, a refletir. É, por isso, altura de olhar para trás, para conseguirmos melhor entender o futuro.

Em 2008 e enquanto consultora de investimentos e diretora de agências bancárias, vivi bem de perto a gravíssima crise financeira à escala mundial prolongada numa recessão económica particularmente dura em países como Portugal.

Presenciei muitas famílias em grandes dificuldades, sem recursos para pagar as prestações da casa ou as contas mensais bem como clientes aforradores que perderam boa parte das suas poupanças, fenómeno agravado pelo elevado grau de iliteracia financeira da maioria da população.

A pequena dimensão do país, o elevado grau de dependência e forte sensibilidade a fatores exógenos, o elevado grau de endividamento tanto enquanto país como ao nível dos seus agentes económicos (particulares e empresas) impuseram ao nosso país uma única alternativa de se sujeitar à Troika e suas políticas contracionistas que ainda perduram na nossa memória.

Mas, como em tudo na vida, nem tudo foi mau. A crise veio despertar outros valores como, por exemplo, a valorização da produção nacional, a preocupação com as consequências económicas e ambientais do consumo desenfreado, uma maior necessidade de reciclagem e uma valorização do património histórico, com reflexos nomeadamente no setor imobiliário que vive desde 2014/2015 uma enorme onda de reabilitação do seu edificado.

E, após a tempestade veio a bonança. Os mercados financeiros viveram uma década de recuperação e boom e a economia mundial recuperou. A nível nacional os últimos cinco anos foram de crescimento económico, distinguindo-se a recuperação do poder de compra, a normalização do acesso ao crédito bancário a taxas de juro historicamente baixas, a redução do desemprego e o crescente peso do turismo na economia nacional. Estes fenómenos aliados à consequente melhoria de rating do nosso país e a um programa de incentivos fiscais para não residentes contribuíram para um elevado dinamismo do setor imobiliário do mercado nacional, com recordes sucessivos de volumes de transacção e preços.

Este dinamismo foi também alicerçado em fenómenos como a Alojamento Local, a reabilitação urbana, a captação de elevados montantes de investimento estrangeiro quer no segmento residencial quer no segmento comercial e escritórios colocando Portugal no radar de grandes investidores internacionais.

Mas a grande dúvida que já começava a pairar… até quando?

Nos mercados financeiros, muito voláteis e reativos, era uma dúvida pertinente até porque estes mercados costumam antecipar os movimentos da economia real; nos mercados imobiliários, nomeadamente o português, parecia haver já alguns sinais de estabilização (estabilização de preços, aumento tempo médio de venda e legislação restritiva ao investimento estrangeiro) mas as perspetivas ainda eram positivas.

Pois bem… em poucos dias o mundo virou e já ninguém tem dúvidas da gravidade e da seriedade da crise atual não só pela dimensão, rapidez e magnitude dos seus efeitos bem como pela componente da vida humana envolvida.

Temos o mundo quase parado. As novas tecnologias permitem esbater o isolamento a que estamos sujeitos, milhares de médicos tentam salvar muitas vidas, muitas profissões garantem que os bens essenciais não nos faltem. E aí se concentram todas as forças até o maldito Covid-19 nos dar tréguas!

Um significativo impacto económico provocado por esta pandemia é um dado certo. Será global e transversal. A grande questão é a capacidade de recuperação das economias e a que velocidade.

Certo já são as medidas governativas sem precedentes que vão sendo anunciadas diariamente e por todo o mundo, medidas estas que vão desde a redução das taxas de juro, injeção de liquidez nas economias, vastas linhas de financiamento, suspensão dos limites dos défices orçamentais, moratórias no pagamento dos empréstimos de particulares e empresas e medidas de apoio ao emprego/desemprego.

Vamos cumprir o que nos pedem alterando as nossas rotinas e recriando novas formas de trabalhar, esperando que as medidas tomadas pelas autoridades contribuam para que um novo ciclo recomece e que a citação de John Kennedy se concretize!

“Quando escrito em chinês a palavra crise compõe-se de dois caracteres: um representa perigo e o outro representa oportunidade”
John Kennedy

 

0

Teresa Almeida

Ao longo de 30 anos desenvolvi uma vasta experiência de aconselhamento, a maioria dos quais na Banca (como diretora de agência e financial adviser) e mais recentemente no setor imobiliário, onde abracei um novo e desafiante projeto de consultoria. A experiência pessoal e profissional acumulada ao longo dos anos é fundamental para a função de consultoria que desenvolvo. O meu foco é o empenho e comprometimento com os meus clientes.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Post comment

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Está a um passo de receber todas as
novidades da Home Hunting!