Covid-19: 4 Meses Depois, Como está o Mercado Imobiliário?

Muito se especulou sobre o que aconteceria ao mercado imobiliário durante e depois da pandemia. Por isso, o André Maia, Consultor Imobiliário da Home Hunting,  faz uma análise atualizada da situação.

 

Como esperado, houve uma forte queda no volume de transações nos primeiros dois meses de confinamento – março e abril -, seguida de uma recuperação do mercado, já na fase de pós-confinamento. Mas, com uma grande surpresa, em todos estes meses os preços continuaram em alta, tendo sido registado, inclusive, um aumento dos preços médios de transação.

Em tempos de incerteza, quis aguardar por dados fiáveis sobre o mercado português para vos voltar a escrever. Agora que temos dados oficiais sobre o que aconteceu desde março, é altura de analisar o que se tem passado até agora. Acompanhem-me:

2019 – o melhor ano desde que há registo

Fonte – INE (Índice Preços Habitação 1º trimestre 2020)

Começo por notar que 2019 foi mesmo o melhor ano desde que o INE começou a compilar a informação relativa às transações. No ano passado, em Portugal, foram vendidos 25,6 mil milhões €, representando 181.478 habitações. Traduz-se num crescimento de 6,3% em valor e 1,6% em quantidade face a 2018.

Portanto, atendendo à “nova realidade” vivida em 2020, é certo que as marcas a ultrapassar nos próximos anos serão certamente os resultados obtidos em 2019.

 

O melhor trimestre de sempre e o início de 2020

De uma perspetiva trimestral, podemos verificar que o 4º trimestre de 2019 foi o melhor de sempre desde que há registos, onde foram vendidos 6,9 mil milhões € representando 49.232 habitações – crescimento de 12,2% em valor e 6,1% em quantidade face ao período homólogo.

Fonte – INE (Índice Preços Habitação 1º trimestre 2020)

E, logo a seguir ao pico (2019/4T), veio o 1º trimestre de 2020 e… a Covid-19. Ainda assim, um trimestre muito forte, pois face a 2019 “perde” apenas com o 4T – entre janeiro e março de 2020 registaram-se 6,75 mil milhões € transacionados e 43.532 habitações vendidas.

Sabendo que o mês de março já teve repercussões nos negócios concretizados, caso não tivesse existido a Covid-19, estaríamos lançados para um início de ano muito satisfatório.

Ora vejamos, segundos dados do INE:

  • Janeiro 2020 cresceu +9,4% em quantidade e +21,5% em valor face a janeiro 2019;
  • Fevereiro 2020 cresceu +3,5% em quantidade e +13,5% em valor face a fev 2019;
  • Março 2020 reduziu -14,1% em quantidade e -3,3% em valor face a março 2019;

 

Ainda sobre o 1º trimestre de 2020, de referir que se começou a evidenciar o fenómeno de quebra de quantidade em detrimento do aumento do preço médio de venda. Em termos homólogos, o 1º trimestre de 2020 cresceu 10,4% em valor e reduziu -0,6% em quantidade vendida, o que mostra bem o efeito do preço médio.

Fonte – INE (Índice Preços Habitação 1º trimestre 2020)

Nunca, num único trimestre, os preços subiram tanto como no 1º trimestre de 2020. A R.A. Madeira cresceu 21% face ao período homólogo! A R.A. Açores foi a zona com menor subida dos preços onde “apenas” registou uma subida de 3,2%.

De acordo com Gonçalo Nascimento Rodrigues, “o volume de vendas quebra 2,5% em cadeia, mas sobe 10% em termos homólogos. A subida dos preços justifica tudo”.

 

A Fase da Pandemia

No pós-1T, quer de acordo com a nossa experiência na Home Hunting, quer através do feedback dos vários agentes imobiliários e brokers que participaram no “O Desafio” (projeto que nasceu na quarentena mentorado por Gonçalo Nascimento Rodrigues e Massimo Forte), a quebra foi mais do que visível: negócios abortados, escrituras adiadas, quase desaparecimento de compradores e ainda vendedores muito indecisos sobre o que fazer. Resultado? Uma paragem abrupta das transações, principalmente em abril. Desde então, tem vindo a recuperar todos os meses.

Fonte – SIR Confidencial Imobiliário

De acordo com o Confidencial Imobiliário, só em abril houve uma quebra de -43% nas transações face a março, sendo que em maio já registámos uma subida de 23% e, em junho, uma nova subida, desta vez de 11%. Junho foi, inclusive, um mês muito positivo, com notícias de algumas agências imobiliárias a registarem o melhor mês de sempre. A continuar assim, julho vai parecer um mês “quase normal”, algo pré-Covid-19.

Segundo o Confidencial Imobiliário, “com este novo saldo mensal positivo, o mercado voltou a recuperar terreno face ao período pré-Covid (janeiro), com vendas que se encontram agora 35% abaixo desse momento. Recorde-se que em abril, a venda de casas no país apresentava uma queda de 53% face ao pré-Covid, recuperada em maio e agora novamente”.

 

Com isto, não pretendo passar a mensagem de que o efeito da Covid-19 já foi ultrapassado no imobiliário e que já estamos a “carburar” à velocidade de cruzeiro. Não. O mercado caiu, recuperou parte, mas ainda é prematuro cantar vitória.

Apenas considerei importante salientar os vários efeitos que houve neste início de ano e como contribuíram para o desenrolar da atividade. Aliás, são 3 os grandes fatores que, na minha opinião, providenciaram uma reação rápida no nosso mercado, nomeadamente:

  • As medidas de layoff e apoio à manutenção do posto de trabalho;
  • O contínuo financiamento de crédito habitação; e
  • As moratórias da prestação bancária e das rendas nos contratos habitacionais.

 

Medidas que vieram trazer segurança e serenidade ao mercado e que permitiram que, com o fim do confinamento, o mercado habitacional voltasse gradualmente ao ativo.

Julgo que até chegarmos a um novo normal, todos os meses serão uma prova de fogo, onde o poder de compra das famílias é posto à prova, o impacto do fim das moratórias será certamente sentido e o apoio da banca será uma variável fundamental. Até lá, passo a passo, olhar em frente e vamos seguir com a nossa vida. E no que eu puder ajudar, estarei sempre disponível para si.

 

 

 

 

0

André Maia

Consultor Imobiliário da Home Hunting, especialista no concelho de Lisboa. Apaixonado por números e conhecimento, tem mais 8 anos de experiência como consultor no setor da Banca, ligado a projetos de tecnologia e risco. Adora poder dar o seu contributo e está sempre pronto a ajudar, estando habituado a que o seu trabalho tenha um impacto grande na vida das organizações e das pessoas.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Post comment

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Está a um passo de receber todas as
novidades da Home Hunting!