Sabe Ler os Números do Mercado Imobiliário?

Sabe mesmo ler dados estatísticos? Em 2020, no mercado imobiliário fizeram-se sentir variações positivas e negativas, no entanto, nem sempre estas oscilações são bem interpretadas. Atenta a este problema, Teresa Almeida, Consultora Imobiliária da Home Hunting, explica cuidadosamente os pormenores a ter em atenção quando queremos ler e interpretar alguns dados.

Hoje, somos bombardeados a toda a hora por uma elevada quantidade de informação, muita dela referente a vários indicadores e estatísticas. É, por isso, importante refletir sobre a sua qualidade e também sobre a apresentação e interpretação com que nos chega.

Na sequência da pandemia, registaram-se variações percentuais expressivas (muitas delas de dois dígitos, ou seja, superiores a 10%) em diversos indicadores económicos num curtíssimo espaço de tempo (nomeadamente em março/abril), fenómeno de uma amplitude de que não havia memória, nem registos na maior parte das bases de dados e sequências temporais de dados analisados.

As quebras registadas na 1ª vaga da pandemia foram brutais.

Veja-se o exemplo do PIB português que registou uma variação de -16,3% (!!!) no segundo trimestre de 2020 em termos homólogos (comparação do segundo trimestre de 2020 com o segundo trimestre de 2019), quebra esta que foi parcialmente compensada no terceiro trimestre com um crescimento de 13,2% (!) relativamente ao trimestre anterior. No entanto, esta recuperação não impediu que em termos homólogos (comparando o 3º trimestre de 2020 com o terceiro trimestre de 2019) o PIB português registasse uma variação de -5,8% (!!).

Quem apenas olha para o valor de +13.2% até pode pensar que estávamos bem… no entanto, apesar da significativa recuperação, o PIB português registou uma quebra expressiva em valores absolutos ficando mais baixo agora do que antes da pandemia e estima-se que a recuperação demorará pelo menos três (longos) anos.

O que pretendo alertar é que, perante variações tão bruscas em tão curtos espaços de tempo, é necessário ser particularmente rigoroso e atento na análise de dados estatísticos pois facilmente podemos ser levados a tirar conclusões precipitadas e tendenciosas.

Perante variações negativas, para recuperarmos o ponto de partida, as subidas têm de ser mais expressivas. Veja o exemplo:

  • Valor inicial: 1000 com uma variação -15% = valor final 850
  • Valor 850 necessita de uma variação +17,6% para recuperar o valor inicial = 1000
  • Se o índice só recuperar 15% o valor final obtido é de 977,5, inferior aos 1000 iniciais
Outra questão importante é o fator tempo, isto é, a análise de períodos muito curtos é importante para se conhecerem as tendências de curto prazo, mas deve ser usada muito criteriosamente, pois uma mesma variação percentual num período curto significa muito mais do que a mesma variação percentual num período mais longo. Daí que, por exemplo, no mundo financeiro onde a volatilidade é expressiva, as rentabilidades dos fundos de investimento só possam ser publicitadas em termos anuais caso contrário poderiam induzir os investidores a tomarem decisões erradas e precipitadas.
      
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Teresa Almeida

Ao longo de 30 anos desenvolvi uma vasta experiência de aconselhamento, a maioria dos quais na Banca (como diretora de agência e financial adviser) e mais recentemente no setor imobiliário, onde abracei um novo e desafiante projeto de consultoria. A experiência pessoal e profissional acumulada ao longo dos anos é fundamental para a função de consultoria que desenvolvo. O meu foco é o empenho e comprometimento com os meus clientes.

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